Hot Rod Lagos Secos - Escrito por Lucas Azevedo

Muito antes de Wildwood, New Jersey, lar de uma das maiores corridas de Hot Rod da atualidade, vieram os lagos secos no Sul da Califórnia. Na década de 1930, a paisagem desértica dessa região foi o cenário perfeito para o ser humano o limite de velocidade de suas máquinas.


Esse legado de testes continuaria por alguns anos, até a estranha formação geológica ser transformada em uma área de testes das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos.


No dia 15 de maio de 1938, a revista Life enviou o fotógrafo William Carroll para os lagos secos para registrar o nascimento do fenômeno hot rod. Por algum motivo, essas fotografias não viram a luz do dia.


Infelizmente, no dia 20 de junho daquele mesmo ano, os militares interromperam o um evento improvisado e reivindicaram o terreno em nome das Força Aéreas do Exército, expulsando os Hot Rodders.


Semanas depois, o contornos de dois navios de guerra já estaria pintado na superfície plana e lamacenta de Murdoc Lake. Logo em seguida, começaria o tiro ao alvo. Aviões bombardeiros praticavam seus ataques aéreos.


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O livro “The Day the Hotrods Ran”, lançado em 1991, é um compilado das fotos que Carroll tirou para a revista Life naquele dia ensolarado maio de 1938. Cinquenta anos até o lançamento das imagens que documentaram um último suspiro da espontaneidade original que deu início à cultura custom.


Esta verdadeira relíquia visual é um dos registros mais marcantes do momento em que a cultura hot rod capturou a imaginação das pessoas pela primeira vez. As fotografias vão dos preparativos de madrugada, até o final do evento.


Esse livro está disponível em Inglês e pode ser comprado no link acima. Se você não puder comprar o livro e é um fã dos envenenados, recomendo fortemente pesquisar imagens e registros dessa época. Garanto que vai se impressionar, principalmente se assim como eu, for um fã das roupas vintage entre os anos 30 e 40. É uma amostra incrível da cultura original que rodeava os veículos.


Não se preocupe em comprar o livro ainda, porque eu não vou deixar você na mão. Daqui a pouco vou compartilhar algumas aqui mesmo! Para aquecer, se liga nesse vídeo sensacional:


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Hoje, é muito fácil ficar preso na moda do momento. Especialmente porque muitos tentam enquadrar qualquer identificação dentro de rótulos como Rockabilly, Kustom Kulture e afins. Tudo que já existiu, foi processado para facilitar a digestão e o marketing.


Para marcas, esses rótulos quase sempre servem para pegar carona em algo que está em alta, ou como tentativa de lançar a “última novidade”. Emplacar algo novo, sem alma, após sugar tudo que existia na tendência anterior.


Há uns quatro anos atrás, até marca de surfe tinha campanha de bigodudo pilotando motocicleta. A onda passou, e agora tem marca de bota surfando em tênis feioso.


Para muitas pessoas, esses rótulos são apenas uma maneira de encontrar aceitação entre outros indivíduos com gostos semelhantes. Nada mais do que uma questão de moda e de adotar um estilo genérico, enlatado, para se enquadrar no grupo.


Essa minha opinião é totalmente baseada em observações feitas na cidade onde moro, onde qualquer encontro de Hot Rod ou Kustom está lotado do óbvio. Tudo super homogeneizado, faltando justamente a personalização que cativou as pessoas no início.


Não importa a década homenageada no evento, eu tenho certeza que vou escutar Steppen Wolf (e por algum motivo, Red Hot). A estampa nas camisetas à venda, poderiam ter saído do Pinterest. Todo mundo tem o mesmo cabelo, a mesma barba, a mesma bota e o mesmo colete jeans. Raramente vejo pessoas com uma apreciação genuína para explorar o estilo além do que está disponível comercialmente, enlatado.


Existem algumas exceções, claro. Belo Horizonte é cheio de excelentes customizadores, mas como fã da moda que cerca a cultura, acho interessante que, mesmo com tantas referências originais disponíveis, ainda é tão difícil “acertar”.

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As fotos de “When the Hot Rods Ran” são um recurso incrível para qualquer que curte esta estética e também gosta de pensar fora da caixa. Eu separei a seguir mais algumas fotos do mesmo período que mostram todo tipo de moda vintage icônica.

Só para listar algumas coisas que decoram esse túnel do tempo:

. Macacões
Selvedge denim
Engineer Boots (e muitas outras botas masculinas!)
. Botas Loggers
. Club Jackets
Jaquetas de Aviador
Jaquetas da Marinha
. Jaquetas de motociclista cintadas
. Chapéus de piloto
. Bonés de marinheiro
. Camisetas brancas
. Cobertores pendleton, e outros de trading posts
. Óculos de aviação
. Calça chino
. Calças de trabalho

E muito mais!

Para outros detalhistas por aí, como eu, essas fotos são uma vida inteira de referências.


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Tudo isso, e nem começamos a falar sobre os próprios Hot Rods e a inspiração que os originais proporcionam para qualquer entusiasta.


Com tanta coisa disponível no mercado, e mais acessível do que nunca, é surpreendente como tantas marcas, e até mesmo pessoas, entendem tudo errado. Se limitam a reciclar o mesmo basicão.


Felizmente, cada vez mais pessoas estão realmente abrindo os olhos para a oportunidade infindável de explorar coisas realmente legais, independentemente do nicho. É a coisa mais legal dessa cultura, na minha opinião: encontrar o conforto de criar seu próprio estilo, livre das regras de qualquer grupo, mas unido com mentes parecidas pela mesma paixão de inventar!


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Lucas Azevedo é especialista em Marketing de Conteúdo e gerar sucesso para negócios e pessoas que compartilham aquela paixão autêntica pelo que é feito com esmero. Nas horas vagas atualiza o Só Queria Ter Um, blog para quem valoriza os clássicos, qualidade e a autenticidade